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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Historia da educação tradicional em Moçambique

 

Introdução

Falar da do presente tema a Historia da educação tradicional em Moçambique nos remete a falar dos primórdios antes da chegada do europeu com colonização e hábitos que são utilizados ate os dias de hoje, estamos perante a uma fase da Historia em que as populações que viviam em Moçambique viviam em comunidades, estados Reinos, onde a educação era passada de geração em barracão assim preservando os princípios.

 

Evolução da educação tradicional em Moçambique.

Na Historia da educação tradicional em Moçambique, fundamenta-se nos seus valores que as comunidades acumularam ao longo dos tempos e que têm como principal epicentro a pessoa humana. Ninguém vive só. Na lógica da cultura tradicional bantu o ser humano só tem sentido na sua vivência e convivência com o outro. Daí a vida em comunidade.

Generalidades

Educação - não existe um conceito acabado acerca de educação, entretanto, pode-se dizer que : "educação é o processo que visa a capacitar o indivíduo a agir conscientemente diante de situações novas de vida, com aproveitamento da experiência anterior, tendo em visto o integração, o continuidade e o progresso social, segundo o realidade de coda um, para serem atendidas as necessidades individuais e colectivas" (NÉRICI, 1991).

Tradição - conhecimento que provém da transmissão oral de hábitos durante um longo espaço de tempo e que passa de geração em geração.

O termo foi originariamente aplicado pelos primeiros cristãos às crenças centrais, transmitidas através da instrução nas coisas religiosas. A tradição inspira, muitas vezes, o respeito, simplesmente através da autoridade que nela se alicerça (tradicional). Representa normalmente o padrão ou modelo de referência, sendo por isso particularmente respeitada pelos conservadores e, por outro lado, atacada por não conservadores como obstáculo à mudança.

Portanto, tradição conjunto de ideias, sentimentos, costumes e aptidões transmitidos de geração em geração aos membros duma sociedade humana, quer através da linguagem verbal quer através dos próprios actos.

Educação Tradicional - as crianças aprendem para a vida por meio da vida. O individuo sofre uma tripla integração: pessoal, social e cultural. Aprende-se imitando os adultos nas actividades diárias, sem que alguém esteja especialmente destinado para a tarefa de ensinar.

A transmissão do saber é feita usando diversos elementos como: contos, lendas, fabulam, advinhas., provérbios, canções, tabus, ritos e outros.

Todos estes elementos têm uma grande importância na educação e na criação da consciência tradicional da vida. São exaltados os valores e repudiados os contravalores.

Os valores exaltados: a solidariedade, a amizade, a união, a prudência, o pudor, a decência, a simplicidade, a humildade etc.

Os contravalores repudiados: o egoísmo, a falta de respeito, a vingança, a mentira, a inveja, o boato, o ódio, a fornicação e outros males que desprestigiam a comunidade, a linhagem e a família.

Ensino tradicional moçambicana

Ritos de gravidez

A mulher ao sentir-se grávida troca impressões sobre o seu estado com pessoas femininas mais velhas da sua família e de maior confiança. Caso se confirme o seu estado de gravidez ê que se comunica ao seu marido

Neste período ela recebe muitas e variadas instruções das mais velhas dependendo dos ritos de cada comunidade e ou família, as instruções estio ligadas a:

·         Comportamento social ( relações sexuais com vários homens torna o parto difícil)

·         Alimentação

·         Tratamento

·         Escolha de parteira

Ritos de nascimento

Existem variados rituais após a nascença da criança dependendo dos usos e costumes de

Cada comunidade e ou famílias. Há cerimónias específicas para coda momento e para coda sexo.

Cerimónias específicas para:

1.      Corte da placenta conforme o sexo

2.      Defesa do recém-nascido contra maus espíritas

3.      Que o criança se assuste quando se encontro/ com outro pessoa ou colmar

4.      Protecção das crianças contra rodos quentes e outros rituais.

Educação dos Adolescentes

Ritos de iniciação masculina

O adolescente é ensinado tudo o que possa vir a encontrar na vida, necessita conhecer para a luta. Ele aprende a sofrer com resignação, a comer pouco e a beber menos e até a caça é ensinado.

Os ritos de iniciação masculina subscrevessem em realização da circuncisão. A circuncisão um costume que como força da lei e aquele que não for circuncidado é excluído em todas as actividades sociocultural.

Como o desenvolvimento masculino não é notado por sinais externos como na puberdade feminina, a escolha dos adolescentes para a cerimónia de circuncisão não é criteriosa mas baseia-se frequentemente na vivacidade espiritual e no desenvolvimento físico que os mais velhos lhes reconhecem.

Nesta escola tradicional temporária, o adolescente é ensinado a não roubar, a ajudar o pai nas actividades, a não bater nos filhos dos vizinhos, ser sempre voluntários nas actividades da família, como encarara mulher usualmente etc.

Esses ensinos são transmitidos na base de provérbios, adágio, e Sempre acompanhados com Untares s e danças durante as noites da sua permanência nesse mato.

Esses rituais de passagem diferem de uma linhagem a outra em técnicas e meios.

Através da escola tradicional temporaria, o adolescente e inserido na comunidade com as normas e leiras que regulam a vida da sociedade nos aspectos sociais, políticos económicos e assim ele adquire a aptidão para a manutenção da ordem social da região e da paz social e individual.

 

Conclusão

Fim do trabalho conclui-se que este modelo de ensino tradicional foi muito importante naquela época antes do sistema colonial e o actual, visto que era passado de geração em geração assim facilitando a transmissão do conhecimento entre as localidades. Exceptuando a escola tradicional temporária, a educação tradicional não tem dias e nem lugar especifico pata a sua administração.

 

Historia de educação em Moçambique na época colonial

 

Introdução

Falar Historia de educação em Moçambique na época colonial mesmo que falar de um assunto, muito delicado visto que os nossos antepassados foram forcados a abandonar alguns hábitos para aprender outros hábitos que não eram de costume, visto que Os portugueses chegaram a Moçambique em 1498 e a administração colonial foi instalada três anos mais tarde, ficando o território dependente do Estado da Índia até 1752. Em 1569, Moçambique foi elevada à condição de capitania-geral, englobando a região de Sofala e a do Monomotapa. E a educação neste sistema era divido entres os nativos e os portugueses.

 

2. A Educação no período colonial (1845 – 1974)

 

A educação neste período foi caracterizada pela dominação, alienação e cristianização. Foi o período em que surgiu a primeira regulamentação do ensino nas colónias, período da Monarquia em Portugal, a 2 de Abril de 1845. A 14 de Agosto do mesmo ano, foi estabelecido um decreto que diferenciava o ensino nas colónias e na Metrópole e criava as escolas públicas nas colónias.

Em 1846 foi publicada a primeira providência legal para a organização da instrução primária no ultramar português; depois de 1854 foram criadas, por decreto, as primeiras escolas primárias na Ilha de Moçambique, no Ibo, Quelimane, Sena, Tete, Inhambane e Lourenço Marques.

Em 1846 foi publicada a primeira providência legal para a organização da instrução primária no ultramar português; depois de 1854 foram criadas, por decreto, as primeiras escolas primárias na Ilha de Moçambique, no Ibo, Quelimane, Sena, Tete, Inhambane e Lourenço Marques.

A 30 de Novembro de 1869, foi reformado o Ensino Ultramar, onde se decretava o ensino primário obrigatório, dividido em dois graus, com duas classes cada, em que as escolas estavam sob tutela das missões católicas.

Em 1912 foi criada, em Lourenço Marques, a primeira escola secundária em Moçambique.

2.1.Dois subsistemas de ensino do sistema de educação colonial

Um dos maiores marcos da educação colonial em Moçambique é a vigência de dois subsistemas de ensino, nomeadamente:

Ø  Ensino Oficial – para os filhos dos colonos ou assimilados;

Ø  Ensino rudimentar – para os chamados “indígenas”- os nativos.

Neste sentido, o sistema de ensino em Moçambique era de dois tipos, correspondendo a duas concepções de educação - para indígenas e educação da elite, para o colonizador e assimilado.

 

 

 

Em suma A história da educação em Moçambique compreende dois períodos: a educação antes da independência e pós-independência. Cada período é caracterizado por principais marcos. No período antes da

evido ao regime colonial. Os curricula defendiam as finalidades da Metrópole. Mas, com a fundação da FRELIMO, surgiram as zonas libertadas, constituindo a primeira fase de integração e valorização da educação moçambicana.

O período pós-independência tem como marcos: o antes e o depois do surgimento do SNE (Lei 4/83); o surgimento da Lei nº 6/92 e da Lei 18/2018. Resumo do tema 41 FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO ENSINO PRIMÁRIO A independência trouxe uma nova dinâmica na educação em Moçambique, a qual se reflectiu na garantia, pelo Estado, da educação para todos, expansão da rede escolar; sistematização da experiência de educação nas zonas libertadas, formação de professores e revisão curricular contínua.

A proclamação do direito à educação para todos os moçambicanos, pela Constituição da República e a consequente massificação do acesso à educação, em todos os níveis de ensino, constitui o principal marco da educação pósindependência.

 

3.Conclusão

Fim do trabalho conclui-se que a educação passou por várias transformações, de acordo com os períodos em ela atravessou, visto que com a chegada dos portugueses deixou de ser o que era, isto é tomou uma nova visão, neste período Moçambique consegui libertar outras zonas, onde conseguiu também impor um outro modelo de educação e em fim depois a educação conheceu já uma grande evolução, pois muitos moçambicanos que não tinham acendido a educação passaram a ter e o número de analfabetos se reduziu. O trabalho faz reflexão ao processo de educação em geral e de educação em Moçambique no período colonial e sobre tudo como foi caracterizado tomando em conta os principais ideais na formação do homem.

 

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

A Era da Guerra Total

 

 

Tema A Era da Guerra Total

Não foi fim da humanidade,embora houvesse momentos no curso dos  31anos conflitos mundial,entre adeclaracao de guerra austríaca a Servia,a 28 de Junho de 1914,é a rendição incondicional do Japao a 14 de 08 de 1945 quatro dias a eplosao da primeira bomba nuclear .

A humanidade sobreviveu contudo,o grande edifício da civilização do século 20 desmoronou nas chamas da gurra mundial mesmo quando os canhões se calavam e as bombas não explodiam sua história e,mais especificamente a história da sua era inicial de colapso e catástrofe devem começar com a guerra mundial de 31 anos.

Para os que cresceram antes de 1914,o contraste foi tao impressionante que muitos  inclusive a geração dos pais deste historiador ou pelomenos de seus membros centro europeus se recusaram a ver qualquer continuidade com o passado.Paz significava antes de 1914 depois disso algo que não mas merecia esse nome.Era compreensível.Em 1914 não havia grande guerra fazia um século,quer dizer guerra que envolvesse todas as potências europeias sendo que os grandes participantes do  jogo internacional da época eram as seis grandes potências  europeias:Gra Bretanha,Franca,Russia,Austria Hungria,Prussia apois 1871 ampliada para Alemanha e,depois de unificação a Italia media se a extensão de guerra em meses.ou mesmo como a guerra de 1866 emtre aPrussia e a Austria .Entre 1871 e 1914 não houvera na Europa guerra alguma em que exércitos de grandes potências  cruassem alguma fronteira hostil,embora no extremo oriente o japao tivesse combatido e vencido a Russia em 1904 a 1905,apressando com a Revolucao Russa.

 

História do pensamento antropológico

 

 

História do pensamento antropológico

A Antropologia na sua condição de ciência e ao mesmo tempo facto que se materializa de ponto de vista temporal, agrega uma concepção histórica que mostra o evoluir das investigações neste ramo do saber, de forma objectiva, subjectiva e utilitária. Estes enfoques mostram as percepções teóricas e metodológicas dos caminhos seguidos pelos estudos antropológicos, bem como as orientações, críticas e bases defendidas por diversos precursores da Antropologia com vista a trazer o útil para o desenvolvimento desta ciência ao longo dos tempos que correm.

MELLO (2009:178) admite que os estudos de Antropologia nunca constituíram monopólio de qualquer nação ou povo. Seu desenvolvimento nunca foi regular e ininterrupto.

Portanto, existem várias divisões subjectivas que diferentes autores consideram para alinhavar o percurso histórico da antropologia, importando destacar as de Mercier (Formação, convergência, construção e critica) e Penniman (pré-história, ambições, descobertas e conquistas).

 

A curiosidade intelectual e o interesse pelo exótico (Pré–história/primórdios da Antropologia)

MATÍNEZ (2009: 93) considera que a Antropologia, como do resto todas as demais ciências não têm data exacta de nascimento. Trata-se de um processo lento, que implica acumulação e reformulação de conhecimentos.

Desta maneira alguns atribuem o surgimento da Antropologia associado ao interesse pelo exótico (conhecer os outros, considerados “estranhos”).

ERIKSEN e NIELSEN (2010:9) mostram que as pessoas sempre tiveram curiosidade sobre seus vizinhos e sobre desconhecidos mais distantes. Eles conjecturaram sobre eles, lutaram contra eles, casaram com eles e contaram histórias sobre eles.

A pré-história da Antropologia começa com a reflexão que o homem faz sobre si dentro do seu grupo social e sobre o universo com enfoque para a sua origem, a realidade e o destino, preocupação presente desde as mais antigas às modernas comunidades.

No séc. a.C. (499-480 a.C.), os trabalhos do historiador, geógrafo e considerado também pai da antropologia Heródoto, mantêm um interesse antropológico muito desenvolvido. Heródoto viajou e visitou outros povos e culturas, interessando-se especialmente pelos costumes do casamento e os modos de subsistência. Descreveu, entre outras, a sociedade egípcia, comparando-a à sociedade grega. Heródoto é considerado também o pai da história. Escreveu sobre os “bárbaros”: considerava-os inferiores aos gregos, chegando a descreve-los como figuras com um só olho e com os pés virados para atrás

Desde o ponto de vista teórico, relacionou zonas climáticas e culturais. Também Platão, Aristóteles (sobre as cidades gregas), Jenofonte (sobre a Índia) e outros se dedicaram à descrição dos costumes doutras culturas.

Entre os romanos podemos também observar uma especulação antropológica. O poeta Lucrécio  tentou descobrir as origens da religião, das artes e do discurso. Tácito (56-118d,c,) descreveu as tribos germanas, baseando-se nos relatos dos soldados e viajantes; a sua visão é compreensiva, salientando o vigor dos germanos em contraste com os romanos da sua época.

Santo Agostinho (354-430 d. C), um dos pilares teológicos da nova época, descreveu a Roma e a Grécia clássicas como “pagãs” e moralmente inferiores ás sociedades cristianizadas. A sua obra transparece uma intuição do “tabu do incesto” como norma social que garante a coesão da sociedade. No entanto, procurou, constantemente, explicações sobrenaturais para a vida sociocultural.

Do projecto colonial à crise da Antropologia

Após o período da idade média, o renascimento marca um preparo para o avanço científico em muitos ramos de saber e para Antropologia, este constitui um período em que a Europa prepara e inicia o conhecimento e exploração de outros povos. São notáveis alguns ensaios da Antropologia criticando primeiro o etnocentrismo e fazendo uma abordagem comparativa das culturas.

As grandes descobertas marítimas entre sec. XV a XVII influenciaram de certa maneira o desenvolvimento da Antropologia cultural com as descrições dos povos conhecidos nestas navegações numa perspectiva comparativa social assim como com a colectânea de diferentes objectos, utensílios, ferramentas e outros elementos que mais tarde mereceram destaque na edificação dos museus e estudos antropológicos.  São notáveis alguns nomes que desenvolveram estes marcos antropológicos. Jean Bodin (1530-1596) estudou os costumes dos povos conquistados, para explicar as dificuldades que os franceses tinham para administrar esses povos.

Outro exemplo foi o dos missionários jesuítas na América (ex.: Bartolomé de las Casas e o Padre Acosta) que escreveram as “Relaciones Jesuíticas” e elaboraram a “teoria do bom selvagem”, segundo a qual os índios tinham uma natureza moral pura que devia ser aprendida pelos ocidentais. Esta teoria idealizava, com nostalgia, uma cultura mais próxima do estado “natural”., a qual foi mais tarde bem desenvolvida Rousseau.

 

A expansão foi justificada por motivações económicas e religiosas, assim o confirma Vasco da Gama na sua primeira viagem à Índia, afirmando aos locais que vinha para arranjar “cristãos e especiarias”. A visão europeia era que estes povos não tinham lei, nem fé, nem senhor (Bestard e Contreras, 1987;  Lureiro, 1991).

No século XVI, o viageiro Marco Polo elaborou informações críticas sobre Oriente. Outro pensador social importante foi Gianbattista Vico (1668-1744) que defendeu que os humanos podiam reconhecer a sua própria história porque eram autores da mesma (compreender o passado, recreando-o imaginativamente).

Já no século XIX após uma relativa paragem no século XVIII, são desenvolvidas as diferentes correntes antropológicas em diversas escolas e diversos países que marcaram de certa forma um contributo para o surgimento da Antropologia como Ciência após aplicação axaustiva do método experimental e observação.

GONÇALVES (2002:41) mostra que dos diversos contributos teóricos para a elaboração da Antropologia no séc XX, dois mereceram destaque especial: Franz Boaz (evolucionista) e Bronislaw Malinowski (funcionalista), para além de Morgan que antes já desenvolvia estudos antropológicos.

Pode se destacar os feitos de Boaz para a formação das novas concepções da Antropologia:

•           Formado na Alemanha, como geógrafo e psicofísico, estudou geografia com Friedrich Ratzel (1844-1904) que afirmava que o meio ambiente era o factor determinante da cultura.

•           Viajou até ao Árctico e descobriu que diferentes grupos de esquimós controlavam e exploravam meios semelhantes de maneiras diferentes.

•           Chegou a formar antropólogos como Melville Herskovits, Alfred L. Kroeber (1876-1960), Robert Lowie (1883-1957), Edward Sapir (1884-1931), Margaret Mead (1901-1978), Ruth Benedict (1887-1948) e Clyde Kluckhohn (1905-1960).

•           Para Boas, a tarefa do antropólogo era investigar as tribos primitivas que careciam de história escrita, descobrir restos pré-históricos, estudar tipos humanos e a linguagem. Cada cultura teria a sua própria história. Para compreender a cultura teríamos que reconstruir a história de cada cultura.

•           Defendeu que não há culturas superiores nem inferiores (relativismo cultural). Os sistemas de valores devem compreender-se dentro do contexto de cada cultura e não de acordo com os padrões da cultura do antropólogo. • Estudou as teorias da evolução, sobre as quais se mostrou céptico, e defendeu a difusão da cultura.

•           Impulsionou a ideia de que os antropólogos deviam dominar as línguas dos povos estudados, com o objectivo de conhecer o mapa da organização básica do intelecto humano.

•           Criticou o evolucionismo e defendeu que os mesmos efeitos poderiam dever-se a diferentes causas. Também defendeu que muitas das semelhanças culturais eram originadas pela difusão, mais que pela invenção independente, e que, em muitos casos, a evolução não avança do simples para o complexo, antes o contrário (ex.: formas de arte, linguagem, etc.).

•           Esforçou-se por estudar as culturas índias dos EUA, porque estavam em risco de extinção.

•           Em vez da prática evolucionista de enquadrar dados etnográficos em categorias pré-definidas, Boas salientou a necessidade de um cuidadoso e intensivo estudo em primeira mão, livre de todo prejuízo ou preconceito. As generalizações e as leis surgiriam depois de ter os dados apropriados.

Em contraste com os difusionistas alemães, Boas defendia que a difusão não se processava, apenas, do centro para a periferia, mas em qualquer direcção, entre os diversos grupos humanos.

Desde o século XX até os nossos dias começa o período crítico em que as ideias subjectivas criadas sob bases coloniais são analisadas por diversos autores interessados pelo olhar antropológico. Portanto novas concepções aparecem no ramo da Antropologia. Destacaram-se outros estudos para além dos acima referenciados, tal é o caso de JAMES Frazer, Alfred Brown, Émile Durkheim, Claude Lévi-Strauss e outros trouxeram bases fortes à antropologia com uso de métodos experimentais e outras formas para desenvolver a nova concepção antropológica.

 

 

 

 

Referências bibliográficas

BERNARDI, Bernardo. Introdução ao estudo antropológicos, Lisboa, Edições 70, 1974.

DEMARTIS, Lúcia, compêndio de sociologia, Lisboa, Edições 70, 2002.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas, Rio de Janeiro, LTC. 1989.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

O Consolado - História Contemporânea da Europa e América Século XIX à XXI

 Universidade Save - Maxixe

Curso: Licenciatura em Ensino de História

Cadeira: História Contemporânea da Europa e América Século XIX à XXI  

Tema: O Consolado   

Referência Biográfica: BELO, Filomena & OLIVEIRA, Ana. A Revolução Francesa. Coimbra, Quimene. 2001.

 Ficha de leitura

Ideia central

 A seguinte ficha de leitura debruça sobre o consulado, onde vamos encontrar a reorganização do estado, o enquadramento da sociedade, a guerra e a paz, o império, conflito ideológico, estado burguês, a unidade nacional e a Revolução ecuménica. O nome de Napoleão suscita quase invariavelmente as mais inflamadas paixões, aparecendo associado a parecendo extremistas, de adulação ou de vitupério. Mas os seus detractores não hesitam em lembrar a ditadura que impôs, a forma capciosa como instrumentalizou o povo, dando-lhe a ilusão de viver em liberdade e de nele residir a vontade soberana, quando a realidade era bem distinta. Importa pois temperar a paixão que envolve o Imperador, separando de entre os seus actos aqueles que contribuem para o progresso da Franca, que a dotam de instituições que perduram nos séculos seguintes e serão exportadas por toda a Europa, dos outros que invocam as criticas mais severas, ásperas e contundentes.

 

O consolado

Com Bonaparte termina a Revolução burguesa para se instalar o regime burguês. A sua actuação vai criar os fundamentos do moderno Estado francês. Quando o vencedor do golpe do Termidor assume o poder, a sociedade francesa esta ávida de paz: sentem-se os efeitos do período conturbado que assolara a Franca desde 1789. Um verdadeiro vendaval a que nada nem ninguém ficara indiferente. Bonaparte pressente esse estado de espírito e proclama as suas intenções de forma elo quente: «Cidadãos, a Revolução esta consolidada nos princípios que a inspiram: agora terminou. Napoleão promete aos seus compatriotas aquilo por que eles mais anseiam: as grandes conquistas da Revolução mantêm-se, mas agora num clima marcado pela paz, pela calma, pelo consenso. (BELO & OLIVEIRA:2001, 121-122)

Napoleão, que tinha comungado das aspirações nacionalistas do seu pai ern relação á sua terra natal, a Córsega, cedo envereda pela carreira das armas. As vitórias sucessivas cobrem-no de glória e projectam-no para a vida política. A estratégia de Barras, Sieyes, Talleyrand, entre outros, seria a de o usarem para eliminar os opositores personificados nos realistas e naqueles que persistem em considerar-se herdeiros dos Jacobinos e dos sans-culottes. Gizam, então, uma estratégia que faz dele o herói do golpe do 18 do Brumario, mas esperam que, depois, ele continue no exterior, a frente das campanhas, deixando-lhes o caminho livre. Napoleão depressa os desilude, e enceta uma trajectória que lhe permite instrumentalizar em vez de ser instrumentalizado, dominar em vez de ser dominado, controlar em vez de ser controlado, capitalizando a auréola de vencedor em proveito próprio (idem.)

 O salvador da pátria e defensor dos valores fundamentais da revolução de 1789, não quer o retorno ao Antigo regime, acredita no futuro da França, mais sabe se que é imperioso repor a ordem, condição imprescindível para reorganizar a vida política, viabilizar o progresso económico e semear as finanças.( Pág:123)

O nome de Napoleão suscita quase invariavelmente as mais inflamadas paixões, aparecendo associado a parecendo extremistas, de adulação ou de vitupério. Mas os seus detractores não hesitam em lembrar a ditadura que impôs, a forma capciosa como instrumentalizou o povo, dando-lhe a ilusão de viver em liberdade e de nele residir a vontade soberana, quando a realidade era bem distinta. Importa pois temperar a paixão que envolve o Imperador, separando de entre os seus actos aqueles que contribuem para o progresso da Franca, que a dotam de instituições que perduram nos séculos seguintes e serão exportadas por toda a Europa, dos outros que invocam as criticas mais severas, ásperas e contundentes. (idem)

A reorganização do Estado

Para dar consecução ao seu programa e cumprir o desiderato de promover o bom funcionamento do Estado no seio de uma sociedade em paz, define três grandes prioridades: dotar a Franca de uma nova Constituição, assegurar uma administração eficaz e solidificar o erário. Em cerca de dois anos o essencial dos seus propósitos é alcançado (Pág :123)

A 15 de Dezembro de 1799 e proclamada mais uma Constituição, a do Ano VIII (Anexo 3). Estabelece o Consulado em que o poder esta nas mãos do Primeiro Cônsul, Napoleão, pois a ele compete a iniciativa das leis, a capacidade de nomear os ministros e a responsabilidade de do orçamento, da diplomacia e da guerra. Aos outros dois Cônsules - Cambaceres e Lebrun - restam funções meramente honor (ficas, ou seja, Bonaparte e a autoridade de máxima (Pág:124)

No topo da hierarquia esta o Conselho de Estado que elabora e prepara os projectos de lei. O Senado zela pela sua constitucionalidade, o Tribunado discute as leis e o corpo legislativo vota-as. Vale a pena sublinhar que o poder legislativo se dilui por quatro Assembleias que se neutralizam entre si. A organização do poder judicial e mantida, mas a eleição dos juízes e suprimida. Em suma, a Constituição do Ano via cumpria o propósito defendido pelo abade de Sieyes: «A autoridade vem de cima e a confiança vem de baixo», neste caso concerte, a favor de Napoleão. O poder altamente centralizado prolonga-se por uma administração que vincula o mesmo princípio, ou seja, todas as ordens emanam do topo. Para tal, em Fevereiro de 1800, são promulgadas as leis sobre a administração local que criam os prefeitos. Toda a ideia de administração e de conjunto seria destruída se cada prefeito interpretasse subjectivamente uma lei, ou um acto do Governo. (idem)

Torna-se um simples cidadão quando, em vez de se limitar a executar, tem ideias diferentes das do Governo e sobretudo se as manifesta publicamente.As ideias gerais devem partir de cima, e dai que emana a ordem, uniforme e comum a todos: constato, com pena, que alguns de vos, por certo animados das melhores intenções, querem interpretar as leis, dirigem -se as populações através de circulares, enchem os jornais com a descrição das realizações que promovem. Não e deste modo que o Governo concebe a administração. A acção policial também e reforçada, entregue ao todo poderoso Fouche. Torna-se um instrumento de controlo e vigilância, visando prevenir qualquer tentativa de subverter a ordem instituída. Como se conclui, um piano desta envergadura não e exequível sem dinheiro, e Napoleão não quer um Estado pobre, sem receitas suficientes, ao invés, deseja inverter a situação de penúria (Pág:125-126)

Constituído com o capital inicial de 30 milhões, tem o monopólio da emissão do papel-moeda, a partir de 13 de Maio de 1803. Tem origem na designada Caixa de Con- tas-Correntes, sendo Perregaux, Recamier e Desprez os seus banqueiros mais empreendedores. E também sua a iniciativa de introduzir como unidade monetária o franco, estável ate ao final do século XIX. Designado por franco germinal, tem o peso de 5 gra­mas de prata, fixando-se a paridade em 1/15,5. O eleito destas medidas concertadas e notável: em 1802 o orçamento da Estado está equilibrado, proeza que nem o Antigo Regime nem a Republica tinham logrado atingir. Quanto as actividades económicas, estimula as indústrias e o comércio, e promove o largamento de importantes infra-estruturas: estradas, pontes, canais (Pág, 126)

O enquadramento da sociedade

Percebe que a reconciliação nacional passa obrigatoriamente pelo fim das dissidências religiosas que haviam aberto uma fractura importante no seio dos Franceses, remetendo-os para dois campos opostos: a França católica e a França revolucionaria. O conflito remonta aos alvores de 1789, e tivera o seu ponto culminante com a Constituição Civil do Clero. Assumindo-me católico pus termo a guerra da Vendeia, fazendo-me muçulmano estabeleci-me no Egipto, e ao tornar-me ultramontano ganhei a Itália (Pág:127)

Nas escolas e introduzido um novo catecismo, o catecismo imperial, com uma estrutura semelhante ao cate­cismo cristão e organizado era perguntas e respostas. Ensina as crianças os principais deveres para com os seus governantes e, em especial, para com Napoleão I: os cristãos devem aos príncipes que os governam, e nos devemos em particular a Napoleão, nosso imperador, o amor, o respeito, a obediência, a fidelidade, o serviço militar, os tributos ordenados para a conservação e defesa do Império e do seu trono; devemos-lhe ainda orações fervorosas para a sua salvação e para a prosperidade espiritual e temporal do Estado. Uma das realizações maiores de Napoleão: o Código Civil. (Pág: 128)

O período pós-revolucionário contribuiu para agravar a anarquia no seio do sistema jurídico que ia sendo ajustado a medida das circunstâncias, mas sem que tivesse um elo lógico e unificador. Certas matérias merecem agora um consenso mais alargado, como, por exemplo, a secularização do Estado. O Primeiro Cônsul consegue chegar a um equilíbrio em que o ponto mais forte resulta das sínteses hábeis Tradição/Revolução, Direito Romano/Direito Revolucionário, preservando, em simultâneo, o essencial das conquistas revolucionárias que o Estado solenemente se compromete a respeitar, O Código Civil, promulgado a 21 de Março de 1804, refine 36 leis, votadas entre 1801 e 1803, compiladas em 2281 artigos. Destacou-se dois dos aspectos mais relevantes nesta área. (idem)

A família legitima sai reforçada, uma vez que a autoridade do pai como chefe e revigorada, aos filhos naturais não são reconhecidos quaisquer direitos, e se o divorcio não e abolido, a verdade e que agora e muito mais difícil de obter. Quanto a liberdade do trabalho, ela e considerada como um direito, mas as disposições introduzidas favorecem o empregador face ao empregado. A obrigatoriedade de os trabalhadores possuir uma caderneta e uma das provas mais concludentes. Algumas ilações podem ser' retiradas: o Estado e o grande beneficiado desta legislação, ao definir os limites impostos aos cidadãos e ao assumir-se como o maior garante dos bons costumes e da ordem social. A legislação napoleónica - Código Civil, Código Penal e Código Comercial - marca quase toda a Europa ate aos nossos dias. Napoleão tem plena consciência do alcance do documento que ficara para sempre associado ao seu nome. Napoleão não descura um outro segmento dominante te da sociedade francesa e promove o enquadramento social da juventude. Surgem as universidades imperiais e os liceus, onde e adoptada uma disciplina militar, com uniformes e toques de tambor, e prevalecem currículos com forte pendor clássico (Pág.: 129-130.)

A guerra e a paz

Depois da sua derrota em Abukir (1 de Agosto de 1798) que evidencia a supremacia naval da Inglaterra, Napoleão e confrontado com uma segunda coligação que integra, para alem da sua arqui-rival, os Austríacos e os Russos (idem).

. Depois de uma campanha meteórica em Itália (Abril de 1796 a Abril de 1797), o Imperador da Áustria e constrangido a assinar a paz em Campoformio (Outubro de 1797).  Os Austríacos, perante o fracasso da coligação, renovam em Luneville o tratado de Campoformio. Os Ingleses estão sozinhos e chega também a sua vez de admitir a superioridade francesa: negoceiam a paz, firmada pelo Tratado de Amiens, em 25 de Margo de 1802. A paz volta ao Continente, facto verdadeiramente assinalável, se nos lembrarmos que a guerra começara em 1792,( Pág:130).

O Império

Napoleão e credor de um imenso prestigio que as suas conquistas só contribuíam para aumentar, mas sente que cada vitória pode ser a ultima, e ambiciona por um poder ainda maior que não o deixe refém de nada nem de ninguém. Dois argumentos vão funcionar a favor das suas pretensões: a ameaça do recomeço de uma guerra com a Europa e as investidas monárquicas que deixam pairar o perigo do retorno ao Antigo Regime (Pág:, 131-132).

Para respeitarmos a verdade, impõe-se uma rectificação: não e Pio VII, mas sim Napoleão que se sagra a si próprio. Em seguida, repete o gesto, desta vez na sua mulher, a Imperatriz Josefina.

Uma nova modalidade para a consulta da vontade popular cauciona a eleição nestes cargos: o plebiscito. A 10 de Maio de 1802, o Primeiro Cônsul, ao recolher 3 500 000 sins contra 8374 nãos, torna-se Cônsul vitalício. Em 1804 ascende a Imperador hereditário com 3 572 000 votos favoráveis e 2579 contrários. Napoleão acaba de criar um novo modelo político, o cesarismo plebiscitários: a autoridade reveste-se de uma feição ditatorial sendo, porem, legitimada pela vontade popular (Pág:, 133).

Bonaparte trouxe a estabilidade a uma nação marcada por vinte e cinco anos de turbulência. Apazigua as tensões religiosas diluindo o fosso criado entre os católicos e a revolução, põe em funcionamento uma máquina administrativa ate aí anárquica, reorganiza o aparelho de Estado, relança o comércio e gera as condições propícias a confiança dos agentes económicos.A burguesia, um dos esteios mais fortes em que Napoleão sustenta o seu poder, sente-se segura e confiante. As diferenças salariais são acentuadas; tomemos como exemplo os prefeitos e os amanuenses de segunda classe: em 1810, os primeiros auferem um vencimento de cerca de 50 000 francos por ano, enquanto os segundos recebem 1200 francos. (idem)

Napoleão introduz outras marcas de distinção social. A partir do momento em que ascende a «alteza sereníssima» cria uma nova nobreza, concedendo esse estatuto aos seus familiares, aos altos dignitários do Estado e a outro dos pilares do regime: os generais e os marechais, agraciados com inúmeras honrarias.

Os camponeses e os operários também exprimem a sua adesão. Os primeiros conquistaram uma das suas principais reivindicações: a supressão definitiva dos direitos feudais e, doravante, o acesso a propriedade não e uma impossibilidade. Acresce que os impostos não sobrecarregam em demasia o mundo rural. Outras modificações são introduzidas. Napoleão rodeia-se de uma «corte» em que o fausto e a pompa quase fazem evocar os tempos anteriores as grandes convulsões revolucionárias (Pág:133-134).

As senhoras dão o toque de sofisticação, concorrendo entre si pela elegância e ate por uma nova forma de trajar. A moda Império testemunha os novos tempos. Surge especialmente associado ao mobiliário, a ourivesaria, a porcelana e á decoração, e difunde-se pela Europa e pela América do Norte (Pág :135).

No domínio da pintura, David (1748-1825), um antigo jacobino, republicano confesso, deputado da Convenção que integrara o grupo dos que votaram a favor da condenação á morte de Luis XVI, e que ainda passa brevemente pela prisão após a queda de Robespierre (1794), vai render-se ao Imperador. Torna-se o pintor oficial da Corte (idem)

Para culminar, as vitórias tem um protagonista indiscutível e mobilizam os Franceses em torno de um Impe­rador que os faz sentir parte de um povo de eleição. Enquanto esta situação se mantém, Napoleão Bonaparte e o líder incontestado. Em relação a este ultimo, enfatizemos três características que fazem dele uma máquina de guerra altamente eficaz: o volume dos contingentes, a experiencia e o ideal. O elevado numero dos que integram as formas armadas resulta primeiro da mobilização maciça que, durante a Convenção, havia recrutado 300 000 soldados, mas também tem a sua origem no aumento demográfico vivido nesse século (Pág:136).

 

Napoleão, um estratego com invulgares dotes militares, não só incentiva os seus homens a superarem-se a si próprios, como a emularem-se no campo de batalha. As demonstrações de valentia são inúmeras: a divisão de Massena percorre cem quilómetros a pé em apenas três dias e consegue três vitórias.   Outro trunfo favorece o exército: a juventude. Napoleão e feito general com 24 anos, Murat e responsável por uma brigada com 26 anos, Ney com 27 anos, ou seja, o comando este confiado a um grupo de homens cujas idades oscilam entre os 26 e os 37 anos. Mas este exército padece de algumas franquezas.  O artífice de todos os pianos e sempre Napoleao, e, se o valor dos seus subordinados rnais directos e inquestionável, a maioria não tem capacidade de iniciativa: limita-se a executar ordens, ou seja, tudo depende do Líder. Outro ponto vulnerável decorre da existência de muitos solda­dos estrangeiros, recrutados nas zonas conquistadas, sendo a sua fidelidade duvidosa, especialmente quando os desaires ocorrem (Pág:137).

O exército torna-se um dos meios de ascensão social, e não admira que os generais do Império sejam quase todos oriundos da média burguesia parisiense. Em oito anos, de 1804 a 1812, Bonaparte conquista a Europa: as suas tropas dominam desde Portugal a Moscovo, passando por Roma e Hamburgo. Numa Europa com 167 milhões de habitantes, o Império controla 44 milhões e o «Grande império» 82. Em 1805, a grande vencida é a Áustria, em 1806-1807 a Prússia e a Rússia. Em 1809, a Áustria e obrigada a reconhecer uma nova derrota. Na Alemanha, os territórios do Saxe, Vestefalia, Ha­nover dilatam-se a custa da Prússia e da Áustria. Napoleão torna-se rei de Itália, anexa os Estados Pontifícios e domina o reino de Napoles. O seu irmão e o novo rei de Espanha, e em Varsóvia é construído um grão-ducado. As províncias da Ilíria passam a integrar o território francês, e o Império, com mais de 130 Departamentos, estende-se pela Bélgica, Renânia, Holanda, (Pág :138)

Alianças e política matrimonial conjugam-se com a acção militar: em 1810 Napoleão casa-se com Maria Luísa, filha do Imperador da Áustria e sobrinha de Maria Antonieta, passando a fazer parte das famílias reinantes europeias. Estes sucessos são ilusórios, porque o maior obstáculo, a Inglaterra, não fora removido. Pós com a revolução industrial, um processo de transformação que mudaria a face da terra.     Nesse sentido, decreta, em 21 de Novembro de 1806, o Bloqueio Continental, que tern um duplo objectivo: remeter a Inglaterra ao espaço restrito das suas ilhas, impedindo-lhe o acesso a bens indispensáveis como os cereais ou a madeira, e lesar os seus interesses económicos, pois, ao fechar os portos europeus as mercadorias britânicas, as exportações diminuíam e a balança comercial seria gravemente afectada (Pág: 139).

 

A proibição de realizar trocas comerciais não e pro- priamente uma novidade; lembremos que o mercantilismo, ao adoptar o proteccionismo, desencadeara um processo semelhante. A grande inovação e que, pela primeira vez, um decreto é imposto a escala continental, mas aí reside também o seu ponto nevrálgico que vira a revelar-se fatal para uma estratégia tão ambiciosa. Várias razões explicam o fracasso do Bloqueio Continental:

ü  Primeiro pode-se sublinhar que a Inglaterra e a rainha incontestada dos mares o que, na prática, torna quase impossível vigiar e obstruir os movimentos das suas frotas. Gramas a um dinamismo em crescendo, as suas actividades produtivas são reforçadas, e consegue mesmo expandir-se em zonas onde anteriormente não actuava, como o Mediterrâneo e a América Latina;

ü  Doravante, a Franga tem de substituir a sua velha rival, tornando-se a grande fornecedora do Continente. Acontece que a economia gaulesa, apesar de evidenciar muitos progressos, não lograra ainda recuperar o atraso resultante do período conturbado que vivera desde 1789;

ü  Adiante-se um outro problema. Os sistemas demasiadamente restritivos geram sempre efeitos perversos, e o mais comum e assistir-se ao aumento do contrabando, dificilmente controlado pelas alfândegas e pelas forças da ordem;

ü  Acresce que a colaborarão dos países sob controlo francês é uma peça-chave para o sucesso deste projecto; porem, a propaganda inglesa contra o «vampiro sedento de sangue fresco» que engana os povos conquistados, porque, em vez de lhes proporcionar a tão apregoada liberdade, os submete, começa a dar os seus frutos,( Pág: 139-140).

 

A lista dos obstáculos não termina, para que o domínio continental seja efectivo não pode haver brechas, e os exércitos franceses necessitam não só de contingentes constantemente reforçados e renovados, mas também de muito dinheiro para garantir que todas as nações acatem as cláusulas do Bloqueio, condição imperiosa para o seu sucesso. Napoleão vai, contudo, encontrar opositores inesperados que o obrigam a dispersar-se em várias frentes, desgastando as suas formas;

A Península Ibérica o Imperador envia os seus generais, convencido de que não encontraria qualquer resistência, mas a realida­de e bem distinta, porque os militares são recebidos em Espanha por uma população sublevada que se lança numa guerrilha devastadora para as tropas invasoras;

O czar Alexandre I, de inicio cooperante, cedo de monstra algumas reticências, o que obriga Napoleão a lançar-se na terrível campanha da Rússia. Bem se pode afirmar, utilizando uma expressão popular, que o feitiço se virou contra o feiticeiro. No seio da sociedade francesa o mal-estar também começa a instalar-se. O modelo político introduzido por Napoleão, altamente centralizado, fá-lo concentrar em si todos os poderes, mas aí reside uma das suas maiores debilidades. A personalização, a omnipresença geram uma relação perversa: a sua ausência quase paralisa as instituições, deixando tudo em suspenso. (Pág: 141-142)

 A conjuntura criada pelo Bloqueio Continental acaba por funcionar em sentido inverso ao esperado, e depressa se sentem os seus efeitos: o abastecimento é afectado, os pregos sobem, os impostos indirectos crescem o que gera uma onda de descontentamento geral. Os mineiros também engrossam o núcleo dos insatisfeitos: desencadeiam um protesto laboral que, para além de prejudicar o bom funcionamento das forcas armadas, é mais um sinal do clima explosivo e do recrudescimento das tensões sociais. Pressionado pela necessidade de aniquilar o comércio inglês com a Itália, Napoleão confisca, em 1809, os Estados Pontifícios. O reacender do conflito aviva uma ferida ainda não sanada, e o Papa, como represália, recusa a investidura dos bispos e sentencia a excomunhão do Imperador. (idem)

Registou o teor de uma carta que dirige ao príncipe Borghese, general dos Departamentos de além -Alpes: «Querendo proteger os meus súbditos do desrespeito e do furor desse ancião ignorante e arbitrário [Pio VII] ordeno-vos, pela presente, que o notifiqueis de que lhe proíbo que comunique com qualquer igreja ou com qualquer dos meus súbditos, sob pena de desobediência de uns e outros.» Em 1812, em Caem, registam-se levantamentos e, para extirpar a hidra conspiratória, adoptam-se medidas drásticas, exemplares e dissuasórias: os cabecilhas são fuzilados. A trama adensa-se, e o general Malet apresenta-se a 23 de Outubro de 1812, junto da Guarda Nacional, exibindo um decreto forjado no qual se anuncia a morte do Imperador, ao mesmo tempo que se proclama como o novo comandante militar de Paris.  Em seguida, com homens armados a sua disposição, dirige-se a prisão para libertar uma serie de adversários do regime. Este episódio rocambolesco só merece uma interpretação: o poder está apodrecido e pronto a ser tornado de assalto por qualquer arrivista mais ousado. Napoleão começara por despertar nos povos um fervoroso sentimento de nacionalismo que doravante andara muito associado a liberalismo. O derrube do Antigo Regime ern França constitui um poderoso estimula para todos aqueles que se sentem oprimidos e o slogan «Liberdade, Igualdade, Fraternidade» propaga-se com uma velocidade alucinante. O rastilho estava aceso e dificilmente iria ser apagado. Porem, a medida que os exércitos napoleónicos prosseguem as conquistas, o sonho transforma-se em pesadelo. Os recém-conquistados aspiram a autonomia, a plena assunção da sua soberania, e assim se justifica que se unam para combater uma nova forma de subjugação. A derrocada do Grande Exercito, depois da campanha da Rússia, da o sinal para a sublevação contra o imperialismo francês, personificado, afinal, por Napoleão. Os soldados, na sua maioria, continuam ao lado do seu chefe, mas o mesmo não e valido para os generais que começam a demarcar-se, tentando salvaguardar as suas posições futuras. (Pág: 143-144.)

 

O povo mostra-se, contudo, confiante e pronto a apoiar Napoleão, mas ele rejeita ser o «Imperador da jac- querie». Os notáveis, pelo contrário, não estão dispostos a sustentar por mais tempo o «novo César» e preferem encarregar os inimigos do general de dar seguimento a obra que ele tinha concretizado. A 6 de Abril de 1814, Napoleão e obrigado a abdicar, sem ter conseguido assegurar a transmissão do poder ao seu filho, e parte para a ilha de Elba. Os termos do acto de abdicação são os seguintes: Tendo as potências afirmado que o Imperador Napoleão e o único obstáculo ao restabelecimento da paz na Europa, o Imperador Napoleão, fiel ao seu juramento, declara renunciar, por ele e por seu filho, aos tronos de França e de Itália e acrescenta que não há nenhum sacrifício, incluindo o da sua própria vida, que não esteja disposto a fazer pelo interesse da Franca (Pág: 144-145.)

Após o seu afastamento, os Bombons recuperam o trono, e emerge de novo o espectro do retorno ao Antigo Regime. Napoleão ensaia a ultima tentativa para inverter o curso dos acontecimentos: volta a Paris em Março de 1815 e tenta repor o regime imperial, mas dotando-o de um cariz mais liberal, atraves do Acto Adicional as Constituições do Império (1 de Junho de 1815), redigido por Benjamin Constant. Luís XVIII refugia-se, prudentemente, em Gand. (Idem).

Esse período, denominado pelo «voo da águia», traduz-se num Governo de cem dias (de 20 de Março a 22 de Junho de 1815) em que o general, em vez de aproveitar o apoio popular - provavelmente temendo exces­sos revolucionários -, vai confiar num grupo de notáveis que, no fundo, acaba por o trair. O último acto desta epopeia desenrola-se na Bélgica. O regresso do herói mobiliza a Inglaterra, que se alia a Prússia, e em Waterloo vão confrontar-se: dum lado, Napoleão com 74 000 homens, do outro, Wellington com 100 000 e Blucher com 135 000. Nem mesmo a valentia e o denodo podem opor-se a uma tão manifesta desproporção de forças (Pág: 145-146).

Conflito ideológico

Tal como a sociedade, a vida intelectual sofre intensa mente os acontecimentos revolucionários, surgindo a Revolução como o corolário do século das Luzes e do racionalismo, como reconhece a Convenção ao homenagear Descartes, admitindo-o por decreto de 2 de Outubro de 1793 no Panteão: ’’René Descartes merece as honras devidas aos grandes homens.’’ A própria língua sofre uma profunda transformação, e algumas palavras ate há pouco inócuas, como nação, pátria ou lei, adquirem um poder desconhecido, carregado de emoção e sentimento de empatia, enquanto outras, como aristocracia e tirania, corporizam todo o rancor e o ódio acumulados ao longo de décadas (Pág:152).

O jornalismo político tomou aliás uma extensão considerável desde que a liberdade de imprensa foi decretada em 1789, apesar das restrições que, de facto, se estabeleceram a partir de 1792. Ao teatro e também insuflada uma vida nova logo que em 1791 (13 de Janeiro) são abolidos os privilégios em matéria teatral e qualquer cidadão pode portanto construir um teatro público e fazer representar as peças da sua preferência. Todos os outros, os teatros onde fossem representadas peças que eventualmente pudessem depravar o espírito público, ou despertar nele a nostalgia da monarquia, seriam obviamente encerrados. A pintura e a musica são também artes ao serviço da Revolução, dando forma ao esplendor que e exigido nas festas nacionais, onde e exaltado o entusiasmo de todo o povo que, como actor, nelas participa (Pág:153).

 

Estado burguês

A organização jurídica do Estado do Antigo Regime ruiu logo na noite de 4 de Agosto de 1789, quando todos os súbditos do rei foram declarados cidadãos iguais, sem distinção de nascimento. Existias algumas diferenças, pós essas diferenças não reside na nomenclatura, pois estas duas palavras condensam em si toda a concepção do homem, tanto em termos individuais como na forma como integram o colectivo. O súbdito e um sujeito que se supõe por natureza passivo relativamente a um poder superior que representa a divindade e portanto e considerado infalível.

Em consequência desta igualdade dos cidadãos, todos os privilégios particulares atribuídos a povoações, cidades, cantões, regiões, principados ou províncias deixam de ter sentido e são definitivamente abolidos. A venalidade de dos cargos e suprimida, tal como são dispensadas as fungões dos Parlamentos e dos Conselhos Superiores (Pág:155).

O Governo Revolucionário sente necessidade de alterar esta situação e institui a permanência das administrações ao substituir a eleição pela nomeação, embora utilizando o argumento da depuração. O aparelho burocrático sai reforçado sobretudo depois da criação dos agentes nacionais, obrigados a apresentar relatórios aos comités do Governo com uma frequência quase semanal. O aparelho administrativo fica assim estabilizado, reforçando a sua eficácia ao serviço do Estado autoritário (Pág:156).

Os mesmos princípios electivos e de mobilidade dos cargos presidem também á reorganização das instituições judiciarias, mas a duração de seis anos atribuída aos man­dates e a possibilidade de reeleito minimizam os efeitos negativos e salvaguardam a estabilidade da magistratura durante a monarquia constitucional (idem).

Unificar e concentrar os diferentes poderes ao governo revolucionário iria garantir a criação de um direito nacional uniforme e uma tarefa complexa mas urgente, uma vez que a Revolução destrói os dois pilares que sustentavam a sociedade de Antigo Regime: o direito feudal e o direito canónico. A ânsia de estabilização sentida pelos cidadãos vai permitir ao Consulado restaurar progressivamente o Ministério Publico através da nomeação dos juízes, reforçando também deste modo os seus poderes (Pág:157).

Unidade nacional

Esta torna-se, desde o inicio do processo revolucionário, uma palavra-chave capaz de libertar forças latentes e elevar os homens acima de si próprios, mas funciona também como a mascara sob a qual se esconde a contradição fundamental da nova sociedade saída da Revolução: construída com base na propriedade e no regime censitário, exclui de facto as massas populares.com tudo a unidade nacional progride através das novas instituições administrativas que formam o quadro de um Estado economicamente unificado pela destruição das autonomias, dos particularismos, das alfândegas internas, mas também pela uniformização dos pesos e rnedidas (Pág:158).

Ao nacionalizar a guerra, a Convenção sente necessidade de impor uma só língua para consolidar e unificar a Nação. Ao contrario da Assembleia Constituinte, que mandava traduzir os seus decretos nos diferentes dialectos, preocupada que estava com a autonomia, a Convenção promove através dos clubes e das sociedades populares o francês, fazendo passar a mensagem de que o seu uso e prova de patriotismo. A realidade e no entanto bem mais difícil de moldar do que os discursos fazem supor, e, destituindo o latim, o francês só se impôs nas escolas centrais e nas universidades, mantendo portanto a discriminação social (Pág:158-159).

Igualdade de direitos

A assistência e uma das áreas indispensáveis para atenuar a desigualdade das condições de vida e para caminhar no sentido da igualdade de direitos. Após a sua laicização e o Estado que assume a responsabilidade pelas instituições já existentes e, conforme reconhece o título primeiro da Constituição de 1791, prevê a criação de um estabelecimento geral de socorros públicos, para educar as crianças abandonadas, aliviar os pobres enfermos e fornecer trabalho aos pobres válidos que não podiam procura-lo (pág. 160).

A igualdade e bandeira quando se trata de atacar o privilégio da aristocracia, mas em relação ao povo ela situa-se apenas no piano teórico. Estava fora de questão a democracia social, e mesmo a democracia politica foi rejeitada, circunscrevendo-se a Nação legal á burguesia censitária até 10 de Agosto de 1792, quando, pelo sufrágio universal e pelo armamento dos cidadãos passivos, o povo e integrado na Nação. Porem, uma vez que a Constituição do Ano 1 nunca entrara em vigor, a universalidade do sufrágio não passara de letra morta (pág. 161).

Uma Revolução ecuménica

No piano externo, a Revolução social de massas ocorrida no Estado mais poderoso da Europa teve muitas e duradouras repercussões. A sua influência directa extravasou completamente das fronteiras europeias, e tanto esteve na origem das revoltas liberais que a partir de 1808 abalaram toda a América Latina, como na fundação do primeiro movimento hindu. (pág. 164).

No ideário da Revolução estão contidas as raízes do liberalismo, que se funda nas noções de contrato e de direito natural propostos pelo Século das Luzes (Locke, Montesquieu). Ainda hoje o regime liberal se mantém em discussão e tern como objectivos principais:

A liberdade pessoal e a liberdade de opinião e de expressão: igualdade de direitos, mas não igualdade de bens nem de instrução;

ü  A limitação do poder do Estado através de uma Constituição e da separação dos poderes: o Estado tern como função proteger os cidadãos e renuncia a todo o abuso de poder;

ü  A participação politica do cidadão pela eleição de representantes para um Parlamento que decide sobre as íeis e controla o Governo;

ü  A liberdade económica, entendida como oposição a intervenção do Estado;

ü  A separação entre a Igreja e o Estado e a progressi­va laicização da sociedade.

ü  O liberalismo e sustentado pela parcela esclarecida da burguesia que salvaguarda o seu poder através da instituição do voto censitário (pág. 164-165).

 

 

 

 

 

 

 

 

Conclusão 

Durante a leitura percebeu se que : . O poder altamente centralizado prolonga-se por uma administração que vincula o mesmo princípio, ou seja, todas as ordens emanam do topo.  Os mesmos princípios electivos e de mobilidade dos cargos presidem também á reorganização das instituições judiciarias, mas a duração de seis anos atribuída aos man­dates e a possibilidade de reeleito minimizam os efeitos negativos e salvaguardam a estabilidade da magistratura durante a monarquia constitucional. Unificar e concentrar os diferentes poderes ao governo revolucionário iria garantir a criação de um direito nacional uniforme e uma tarefa complexa mas urgente, uma vez que a Revolução destrói os dois pilares que sustentavam a sociedade de Antigo Regime: o direito feudal e o direito canónico. A ânsia de estabilização sentida pelos cidadãos vai permitir ao Consulado restaurar progressivamente o Ministério Publico através da nomeação dos juízes, reforçando também deste modo os seus poderes. A igualdade e bandeira quando se trata de atacar o privilégio da aristocracia, mas em relação ao povo ela situa-se apenas no piano teórico. Estava fora de questão a democracia social, e mesmo a democracia politica foi rejeitada, circunscrevendo-se a Nação legal á burguesia censitária até 10 de Agosto de 1792, quando, pelo sufrágio universal e pelo armamento dos cidadãos passivos, o povo e integrado na Nação.