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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

As novas tendências da gestão pública e governança interativa em Moçambique

 

As novas tendências da gestão pública e governança interativa em Moçambique

As mudanças introduzidas no quadro da implementação da Estratégia Global da Reforma do Setor Público (EGRSP, 2001-11) a partir do ano de 2001 possuem diferenças significativas quando comparadas às reformas administrativas realizadas anteriormente. No bojo da EGRSP estão as concepções que apregoam medidas reformistas na componente de administração do Estado e nos processos de gestão pública, de modo a responder aos desafios impostos pela necessidade de modernização administrativa e criação de processos e estruturas organizativas adaptadas à gestão pública contemporânea.

Aliás, a análise dos pressupostos e princípios dessa reforma (Ciresp, 2001) mostra que estão embasados nas doutrinas da Nova Gestão Pública (NGP), que alegam, por um lado, a necessidade de modernização dos processos de gestão por meio da implementação de novas concepções acerca do funcionamento da administração pública de modo a promover maior eficiência e eficácia das ações governativas e elevação do desempenho das instituições do Estado. Por outro, fundamentam-se nas concepções da Governança Interativa (GI), pois assinalam a importância da adoção de novas práticas de gestão tais como accountability, transparência, participação e responsabilização na atuação dos organismos estatais.

Algumas medidas reformistas, como mostra a última coluna do quadro acima, comprovam essa tendência de replicar doutrinas, princípios e práticas da NGP do NSP e da GI no contexto moçambicano. A partir de 2001 foram criados mecanismos administrativos para garantir a disciplina fiscal, casos da Unidade Técnica de Reforma da Administração Financeira do Estado (Utrafe) e do Sistema de Administração Financeira do Estado (Sistafe). Estes se constituíram nas grandes inovações relativamente à forma de organização e gestão de recursos financeiros públicos e visam a elevação da eficiência administrativa. Na mesma vertente, de forma mais intensa, a partir de 2006 as instituições públicas em todos os níveis (central, provincial, distrital e dos municípios) passaram a ser gerenciadas e avaliadas através de indicadores de desempenho que privilegiam o alinhamento entre os principais instrumentos de governança no setor público, o Plano Econômico e Social (PES) e o Orçamento do Estado (OE).

O PES e o OE incorporam uma nova lógica e visão de planejamento e execução, mas também de prestação de serviços à sociedade dado que privilegiam a gestão por resultados, a imposição de uma cultura de responsabilização dentro da administração pública, bem como a entrada de novos atores no processo de gestão das políticas públicas mediante a criação de parcerias público-privadas. Nessa perspectiva, a tônica da agenda recente de reforma assemelha-se às concepções da GI, visto que coloca seu foco para as questões relacionadas com as reformas institucionais e administrativas propondo que se dê maior atenção ao modo como se efetivam as interações entre o Estado e as demais organizações da sociedade civil.

Como é assinalado pelo Novo Serviço Público (NSP), na EGRSP defende-se maior acesso dos grupos de interesse ao processo da governança no setor público, encarada, nessa perspectiva, como um mecanismo que permite a atuação da administração pública de forma mais participativa e coordenada. Formula-se que novos agentes provenientes do setor privado assim como da sociedade civil são vistos como atores que devem interagir com maior frequência com o Estado e suas instituições, reduzindo as fronteiras existentes de modo a elevar a participação pública no processo de formação e tomada de decisão das políticas públicas.

Note-se que o caráter das medidas administrativas descritas aproxima-se das concepções propostas pela GI em que, por um lado, a questão de fundo é a modernização da gestão sustentada pela criação das bases para a construção de um serviço público que atende as demandas e expectativas da sociedade e, por outro, trata-se de um serviço voltado à elevação da capacidade da ação governativa do Estado para a implementação de políticas públicas. Essa tendência é atestada pelas mudanças que se pretende induzir nos valores e comportamentos dos funcionários, na cultura administrativa, nas competências e responsabilidades dos organismos públicos, na coordenação institucional e na fiscalização das formas de atuação da administração pública.

Desse modo, pode-se afirmar que a nova abordagem da reforma da administração pública sugere a introdução de um sistema administrativo caracterizado por um novo paradigma pós-burocrático, segundo a perspectiva de O'flynn (2007), dentro da gestão pública em Moçambique, no qual são construídos novos valores e uma nova consciência. Porém, apesar de os apontamentos apresentados indicarem uma tendência positiva na introdução de novas práticas e princípios de gestão no contexto nacional, importa realçar que as mudanças originadas pela reforma administrativa também vieram, na prática, colocar novos problemas relacionados com os objetivos de eficiência e da participação efetiva da sociedade na gestão das políticas públicas.

A questão que pode ser colocada é: como garantir uma gestão pública eficiente e baseada em processos de participação e avaliação efetiva por parte da sociedade? Argumenta-se que, na adoção dos princípios do NGP e da GI, devem ser consideradas as limitações impostas pelos próprios modelos, uma vez que, por exemplo, a complexidade e a dinâmica da gestão por objetivos encerram dois tipos de limitações: o primeiro tem a ver com a complexidade das atividades e a definição das políticas públicas no nível local e o segundo está relacionado com as limitações que as pessoas têm para lidar com informação e sistemas formais de avaliação de resultados.

Como referem King, Feltey e Susel (1998), a participação autêntica ou efetiva implica mais que simplesmente encontrar as ferramentas e técnicas para aumentar o envolvimento da sociedade nas decisões do setor público. A participação autêntica, asseveram esses autores, é a que funciona para todas as partes e estimula o interesse e investimento em ambos os atores públicos e os cidadãos, e exige que sejam repensados os papéis subjacentes e as relações entre os entes públicos e os cidadãos. Verifica-se, portanto, que a nova configuração das estruturas organizacionais da administração pública dá lugar a uma nova lógica diferente de ação. No nível das províncias, distritos e municípios em Moçambique, o novo modelo e a nova lógica administrativa conferem à gestão dos serviços e interesses públicos uma determinada liberdade para decidir sobre como obter elevados níveis de desempenho.

A implementação da EGRSP tem estado a decorrer com base na inspiração do que o NSP explicitado por Denhardt e Denhardt (2000:555) considera ser uma gestão construída coletivamente, isto é, em que são partilhados interesses e responsabilidades baseados na deliberação conjunta, onde o Estado promove a articulação e o interesse público, justiça e a equidade. Portanto, as políticas públicas têm estado a ser vistas como um complexo resultado dos interesses de vários grupos, opiniões e interesses. Nesse novo contexto de relações, o papel do governo tem estado a transformar-se, tornando-se um ator não exclusivo que controla a sociedade e oferece serviços, mas que agrega, negocia e facilita, busca soluções com outros atores privados e a sociedade civil.

Na realidade, as mudanças que se verificam estão sendo acompanhadas de alterações significativas, nomeadamente, as mudanças nos valores e comportamentos dos funcionários, na cultura administrativa, nas competências e responsabilidades dos organismos públicos, na forma de atuação, relacionamento e de coordenação institucional entre as esferas governamentais (por exemplo, a aprovação da Lei no 8/2003, de 19 de maio, possibilitou a atribuição de competências exclusivas para os órgãos locais, eliminando de certa forma os problemas da dupla subordinação). Este último aspecto transformou uma vez mais a tradicional função pública de extrema dependência hierárquica e falta de autonomia das unidades administrativas locais, para uma gestão pública coordenada e interdependente.

A implementação, por exemplo, do Decreto no 5/2006, de 12 de abril, sobre a desconcentração de competências para o governador provincial e administrador distrital promoveu novas práticas de contratação para os quadros de pessoal em nível local concretizando, assim, a ideia da profissionalização dentro de um sistema de carreiras que obedece a tabelas salariais e a esquemas de promoção próprios. Por sua vez, a implementação do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado (Egfae) em 2009 pela Lei no 14/2009, de 17 de março, permitiu proceder a uma gestão de recursos humanos a partir de mecanismos modernos e de técnicas de avaliação de desempenho.

O Sistema de Gestão de Desempenho na Administração Pública Moçambicana (Sigedap) foi aprovado em 2009 pelo Decreto no 55/2009, de 12 de outubro, com vista a aperfeiçoar a gestão determinada por objetivos, orientada para resultados e dotada de instrumentos de gestão necessários para atuar e responsabilizar, motivando as lideranças, os funcionários e agentes do Estado para um desempenho de qualidade e reconhecendo o mérito e a excelência.

Contudo, as metas de eficiência e do alcance de resultados se apresentam como uma questão crítica no processo da reforma administrativa em Moçambique, por um lado, porque a pressão por resultados pode degenerar numa situação instrumental comparável à administração científica tayloriana, uma vez que transforma o espírito e a cultura de trabalho dos funcionários e agentes do Estado, relacionando o seu desempenho às recompensas, desintegrando os valores fundamentais do setor público como a integridade e o comprometimento com o interesse público. Por outro, a análise dos objetivos da avaliação do desempenho estabelecidos no modelo do Sigedap mostra que a fixação de objetivos, a rigidez para o seu cumprimento, bem como a necessidade de responder aos indicadores fixados podem arrastar o sistema administrativo à inflexibilidade típica do modelo de administração burocrática.

O contexto atual do funcionamento da administração pública em Moçambique faz ressaltar uma nova visão do serviço público como resultado das pressões impostas pelo novo paradigma da GI. A observação da realidade mostra, por exemplo, o novo processo de contratação e oferecimento de bens e serviços implantado pelo Decreto n o 15/2010, de 25 de maio, em que a racionalidade na gestão dos recursos e a flexibilidade organizacional exigem que o papel e as qualidades do gestor público estejam alinhados com a perspectiva de um administrador operativo mais voltado para a definição de estratégias.

A perspectiva é a de que essas estratégias de gestão pública devem vincular suas tarefas com os princípios de monitoria e avaliação do cumprimento, por exemplo, dos contratos e programas estabelecidos, o que mostra que não será suficiente no novo contexto da administração pública uma atuação baseada na padronização e regras do modelo burocrático para conseguir o cumprimento dos objetivos organizacionais pretendidos na gestão. Para o efeito, o setor público deve abrir-se para as influências positivas do seu exterior, interagindo com os cidadãos de forma singular ou coletiva no intuito da construção de processos de tomada de decisão mais participativos. Compreende-se que se deve tomar os cidadãos como o fundamento e a razão da administração pública.

Na afirmação de Hughes (2010), o setor público deve-se mover na esteira de uma administração pública moderna em que são estabelecidas a todo o momento ligações horizontais e verticais que melhoram a participação tanto de organizações públicas, privadas lucrativas e sem fins lucrativos e voluntários, ao mesmo tempo que criam novas formas de organização e de estruturação das suas instituições para a resolução dos problemas das comunidades.

8. Considerações finais

A introdução dos considerados renovados modelos de gestão a partir da década de 1980, designadamente da Nova Gestão Pública (NGP), do Novo Serviço Público (NSP) e a aplicação de práticas de Governança Interactiva (GI), abalou de forma profunda as estruturas da administração pública tradicional e tem confrontado os vários governos a procederem reformas administrativas que fazem emergir novas configurações institucionais, cujo propósito é responder de forma mais adequada às demandas do processo de prestação de serviços públicos e das solicitações das comunidades.

Da revisão da literatura efetuada algumas conclusões sobre a dinâmica das transformações que têm sido efetuadas podem ser destacadas. Existem diferenças no enfoque e intensidade das reformas administrativas realizadas em diferentes contextos nacionais sob a influência das concepções associadas à NGP. Apesar de a NGP se preocupar com o desempenho, a elevação dos resultados e a melhoria na qualidade de serviços públicos, as ações desenvolvidas nas reformas dos diferentes países não são unívocas uma vez que as reformas administrativas dependeram ou dependem de prioridades, circunstâncias e pontos de partida particulares de cada país.

Particularmente, com seu enfoque inspirado nas técnicas gerenciais do setor privado, a NGP não priorizou os aspectos democráticos e de accountability ao limitar a participação dos "cidadãos considerados clientes" ao controle dos serviços, sem constituir mecanismos de integração da sociedade nas políticas públicas. Mas, embora possam ser feitas essas críticas, sobretudo pelo designado NSP, compreende-se que alguns princípios e práticas de gestão trazidos pela NGP permanecem atualmente, tais como a preocupação com os resultados, a garantia de eficiência e efetividade das políticas públicas.

Quanto ao contexto moçambicano, as novas práticas de gestão pública orientadas para a elevação da GI ganharam maior centralidade no início da década de 2000, com o surgimento da reforma administrativa traduzida pela Estratégia Global de Reforma do Setor Público (EGRSP), que visa a modernização do setor público. Essas reformas focalizam a implementação de novas práticas de gestão para melhorar a eficiência, a efetividade, o controle, a participação pública e boa governança no setor público em todos os níveis, central, provincial, distrital e dos municípios.

Contudo, a apreciação dos pressupostos e práticas que têm estado a ser adotadas indica que a implementação dessa reforma tem sido marcada por algumas limitações de natureza estrutural e funcional que são, na prática, impostas pelo próprio modelo adotado. Os grandes dilemas se colocam em relação às metas de eficiência e ao alcance de resultados e processos participativos.

Finalmente, para que os objetivos da criação de um novo serviço público modernizado e interativo sejam alcançados de forma efetiva, torna-se fundamental que a administração pública nacional encare esse desafio sob o prisma da aplicação de padrões de gestão que sugerem maior transparência, participação pública, prestação de contas e com uma preocupação constante em atender aos anseios e às necessidades da sociedade com maior qualidade.

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domingo, 22 de setembro de 2019

estratégias de marketing que os restaurantes desenvolvem para que a crise económica não afecte o seu estabelecimento diminuindo o fluxo de clientes assim como a qualidade dos seus produtos e serviços.


1.      Introdução
O presente projecto ira analisar as estratégias de marketing que os restaurantes desenvolvem para que a crise económica não afecte o seu estabelecimento diminuindo o fluxo de clientes assim como a qualidade dos seus produtos e serviços. No ramo dos restaurantes há um grande desafio que é de manter o padrão da qualidade que os clientes esperam. É a qualidade percebida, é a comparação entre o que o cliente esperava do serviço e o que ele recebeu do serviço prestado. No mesmo sentido, Lencastre (2005) refere que o marketing consiste na gestão das relações de troca de uma pessoa, física ou jurídica, junto dos seus públicos-alvo, diferenciando-a da concorrência. Para Kotler, os estabelecimentos que se centram nos clientes podem ser descritos como possuidores de uma perspectiva “de fora para dentro”, em vez de ver as coisas “de dentro para fora”. Segundo o autor a segunda perspectiva, significa, que o estabelecimento se concentra em primeiro lugar em si mesma e nas suas ofertas, em vez de ter como base as necessidades dos clientes. Opostamente “a perspectiva “de fora para dentro”inicia-se pela definição correcta dos mercados, concentrando-se nas necessidades dos clientes.
Quando os clientes esperam mais do que foi atendido gera uma insatisfação, por isso as empresas devem se preocupar em traçar estratégias de marketing para que não percam os seus clientes e melhorem a qualidade dos seus produtos e serviços, assim como a sua divulgação. Este projecto pretende precisamente revelar a importância do plano de marketing para os estabelecimentos de prestação de serviço e produtos.







1.1. Objectivos
1.1.1 Geral 
·         Analisar as estratégias de marketing adoptadas pelos restaurantes para superar a crise económica.
1.1.2        Específicos
1.      Identificar os produtos e serviços oferecidos pelo restaurante.
2.      Identificar as principais estratégias utilizadas em tempos de crise económica;
3.      Medir os impactos económicos da divulgação dos produtos e serviços do restaurante.

1.2 Justificativa
Tendo em conta que com os ataques protagonizados pelos homens armados da Renamo e a divida pública tem provocado a instabilidade e aumento do custo de vida da população moçambicana, e isso tem comprometido bastante para a entrada de visitantes nas instâncias turísticas reduzindo assim o fluxo de clientes em vários estabelecimentos hoteleiros. É por isso que estes estabelecimentos devem traçar estratégias de marketing que possam ser favoráveis e manter o fluxo de clientes em seus estabelecimentos.
1.3 Problema
Será que as estratégias usadas ajudam a superar a crise económica e manter o fluxo de clientes?
1.4 Hipóteses
Com esta pesquisa esperam-se os seguintes resultados:
H1: As estratégias de marketing usadas ajudam a manter o fluxo de clientes.
H2: As estratégias de marketing usadas não ajudam a manter o fluxo de clientes.



2. Fundamentação teórica
2.1 Conceitualização
2.1.1 Marketing
O marketing pode ser visto como «um conjunto de valores e crenças que impulsiona uma organização em direcção a um compromisso fundamental de atender às necessidades dos clientes, como o caminho para uma rentabilidade sustentada» (Webster,1997 apud Hooley, Saunders e Piercy, 2005). Por sua vez, Hooley (2005) indicam que, estrategicamente o marketing procura criar respostas eficazes e que permitam, definir segmentos de mercado, desenvolver e posicionar ofertas de produtos para esses mercados-alvo. Kotler (1995) define marketing sendo um processo social e de gerência pelo qual as pessoas obtêm aquilo que desejam e necessitam através do processo d troca e valores.
De forma mais ampla, o British Institute of Marketing situa marketing como á função de gerência que organiza e direcciona todas as actividades metodológicas envolvidas para avaliar e converter a capacidade de compra dos consumidores numa demanda efectiva para o produto ou serviço específico, para leva-los ao consumidor final ou usuário, visando com isto, um lucro adequado ou outros objectivos propostos pela empresa. (Apud Ruschmamn, 1991).
2.1.2Restaurante
Segundo Montejano (2001), restaurante é um estabelecimento comercial que servem ao público mediante um valor refeições e bebidas para serem consumidas no mesmo lugar.
Para Walter (2002) restaurantes são locais onde o público vai para se refazer, tanto nutritivo como psicologicamente.




2.1.3. Tipos de restaurantes
De acordo com Gurgel (2003), existem vários tipos de restaurante dentre os quais serão abaixo definidos:
·         Tradicional: é um estabelecimento que tem um menú imutável (que não se actualiza), pois tem o objectivo de manter uma tradição no local. Utilizando mão-de-obra não necessariamente especializada.
·         Clássico: é um estabelecimento elegante porem fino, sua faixa de preços difere dos demais, pois trabalha com preços mais elevados. O cardápio apresenta pratos clássicos da gastronomia mundial não incentivando criatividade na culinária, a mão-de-obra é especializada, os garçons, muitas vezes, antigos da casa.
·         Internacional: estes encontram-se nos grandes hotéis e locais badalados, oferecendo cardápio conhecido internacionalmente. Não incentiva a criatividade na culinária, pois trabalha pratos advindos da culinária típica de diversos países, o preparo dos pratos deve ser o mesmo em qualquer parte do mundo, pois os clientes na maioria das vezes buscam por sabores que já conhecem, gerando assim uma sensação de segurança por parte do cliente e nostalgia por parte da casa, pois nada muda.
·         Gastronómico: é caracterizado por um grande chefe ou um grande nome que cria pratos personalizado, o sistema de serviço se baseia no menu de confiança aonde come-se a sugestão do chefe, que espera e confere a opinião de sua escolha. Não importa a origem do prato, mas sim se a comida é preparada por um grande nome. O preço é alto, o publico visado é de alto poder aquisitivo. As pessoas que buscam, procuram por status e diferenciação, por este tipo de restaurante é considerado de “grife” (comida assinada).
·         Especialidade: este não é um estabelecimento necessariamente sofisticado, mas se caracteriza por utilizar alimentos ou técnicas de preparo específicas.
·         Grill: é um nome dado á churrascaria sofisticada de grelhados. Não se serve apenas carne bovina, pois o cardápio inclui também peixes, francos, frutos do mar, coelho, javali, carnes silvestres, etc.; porem sempre com a característica de serem preparados grelhados. Normalmente tem buffet de frios e acompanhamentos como opção de acompanhamento às carnes como forma de oferecer variedade aos comensais. O cardápio pode ser á la carte ou rodizio, porem a tendência é o á la carte desaparecer devido a grande variedade oferecida pelo sistema de rodizio.
·         Fast-food: produção comida rápida, pois utiliza métodos de preparação rápida. O cliente é rapidamente servido e o cardápio é de ingestão rápida.
·         Coffe Shop: é um restaurante com preparações rápidas, em hotéis ficam abertos 24hs., e são servidas refeições rápidas.
·         Lanchonete: são restaurantes tipicamente brasileiros. O cardápio oferecido é a base de lanches, sanduiches, sorvetes, sumos, e pratos rápidos.
·         Self-service: é um restaurante com conceito onde a própria pessoa se serve, em buffet quente e frio.
2.2.Produtos e Serviços Oferecidos Pelos Restaurantes
Os restaurantes oferecem serviços de comidas, bebidas. Estes funcionam em dois turnos nomeadamente: das 6:45 ate as 14:00 e o segundo das 14:00 ate as 22:00, com uma equipe profissional desde os serventes, barmans, cozinheiros, jardineiros e outros superiores.
O sector de serviços actualmente exerce uma importância significativa no cenário económico mundial e essa importância pode ser vista no produto interno bruto (PIB), no aumento de empregos e nos efeitos positivos no sector industrial, oferecendo um diferencial competitivo as empresas.
2.2.1 Serviço
Kotler (1998,p.412) define serviço como:
Qualquer acto ou desempenho que uma parte possa oferecer a outra que seja essencialmente intangível e não resulte na propriedade de nada. Sua produção pode ou não estar vinculada a um produto físicos.
Serviços são actos, acções e desempenhos que são intangíveis eo seu conceito surge geralmente como sendo o oposto do conceito produto, mas ambos se apoiam mutuamente, quando se torna necessário agregar valor as empresas aumentam naquele produto um serviço para diferencia-lo, assim foi preciso de um produto para oferecer um serviço, mas nem sempre um serviço é ciado através de um produto.
Kotler e Armstrong (1993) salientam que a qualidade do serviço é uma das principais formas de uma empresa se diferenciar de seus concorrentes, mantendo o seu fluxo de clientes.
2.2.2 Produto
Um bom produto necessita de um menor esforço de vendas, bastando torna-lo conhecido aos clientes, que, por sua vez, vai procedendo a sua divulgação. O melhor marketing é feito pela própria equipa de operações no próprio local, através da variedade e qualidade da comida, do nível de serviço, das atenções pequenas que levam sempre os clientes a guardar uma boa recordação.
2.3. A prospecção
Descobrir aquilo que o cliente mais aprecia no produto ou serviço, é a variável essencial a ter em conta na fabricação e comercialização de qualquer produto ou serviço. Embora a prospecção seja essencialmente efectuada com sondagens de opinião, ela também pode e deve ser feita no contacto do dia-a-dia com o cliente.
1.      Estratégias de marketing
A procura de lucro a longo prazo ‘e a estratégia principal do marketing. E o 1º dever, a empresa deve vigiar permanentemente o seu meio ambiente para descobrir tudo aquilo que poderá alimentar e satisfazer as suas necessidades, e para tal deve conhecer as necessidades dos seus clientes e os produtos e serviços que melhor o irão satisfazer.
A sobrevivência e a prosperidade de um restaurante dependem da flexibilidade e adaptação ás circunstancias do ambiente e do mercado na hora de administrar o investimento no marketing o restaurante precisa simultaneamente avaliar oportunidades disponíveis para a marca, alocar recursos para o longo prazo e equilibrar o orçamento. Neste período seria mais prático tornar seus produtos e serviços mais acessíveis para reforçar a confiança dos clientes.
Durante a crise o marketing preciso segmentar o público segundo seu estado de espírito (temeroso? Despreocupado?), a maneira como esses clientes classificam aquilo que compram (essencial? Dispensável?). Com mensagens muito bem direccionadas, a marca pode estabelecer um vínculo emocional aos clientes. É necessário prosseguir com o marketing durante a crise onde deve promover vendas no curto prazo sem deixar de investir na saúde da marca a longo prazo adquirindo marcas estratégicas e lançar novos produtos e serviços equilibrando o orçamento.
1.1.Tipos de estratégias de marketing
·         Liderança pelos custos: na qual a empresa procura reduzir ao mínimo os custos de produção para poder praticar preços baixos para os clientes.
·         Diferenciação: baseia-se na oferta por parte do estabelecimento de produtos e serviços com características, qualidades distintas dos da concorrência. Para tal vai investir mais na imagem, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento.
·         Estratégia de foco: a oferta esta orientada para um segmento de mercado. A escolha de um alvo restrito vai permitir atender as necessidades específicas de um determinado grupo e oferecer algo único ao mesmo tempo.

2.      Impactos económicos na divulgação de produtos e serviços nos restaurantes
·         Aumento do volume de vendas;
·         Aumento do lucro para a empresa;
·         Garantir uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes;
·         Capacidade de gerir os custos e aumento dos benefícios,
·         Capacidade de atingir o nível de distribuição.







3.      Processos metodológicos 
3.1.Tipo de pesquisa
Esta pesquisa é de natureza descritiva, tendo em conta que consistira na descrição das estratégias de marketing para aumentar o fluxo de clientes nos restaurantes.
2.2.Fases da pesquisa
*      Preparação do trabalho de campo;
*      Realização do trabalho de campo;
*      Analise dos dados colhidos e elaboração do relatório.
1ᵃ Fase: preparação do trabalho de campo
A concepção deste estudo envolve em primeiro lugar a escolha do tema e informações em diversas obras. Posteriormente, foi necessário estabelecer os objectivos, seja geral assim como específico, formulação do problema, formulação das hipóteses, o método, o tipo de estudo e de análise, o instrumento, a forma de recolha de dados, o procedimento utilizado e a análise dos dados recolhidos. E para tal recorreu-se as seguintes técnicas:
*      Revisão bibliográfica: consulta e leitura de várias obras que versam sobre o tema em abordagem ou a ele relacionado.
*      Pesquisa documental: consistira na consulta de documentos institucionais como projectos de várias pesquisas em áreas de hotelaria e marketing que podem ser uteis para o tema em estudo.
2ᵃ Fase: Realização do trabalho de campo
O trabalho de campo será desenvolvido em várias técnicas, que são:
- Observação de fatos e fenómenos exactamente como ocorrem realmente, á colecta de dados referentes aos mesmos e, finalmente, a análise e interpretação desses dados com base numa fundamentação teórica consistente, objectivando compreender e explicar o problema pesquisado. (Franco, 1985:35).
-Observação não estruturada: tem o propósito de observar aspectos relacionados com o objecto de estudo, tais como os tipos de restaurantes, suas características e classificação. Para a utilização desta técnica será elaborada um guião de observação. (Apêndice A2)
-Entrevista: esta técnica será usada para colher informações da gerente do estabelecimento de restauração na área em estudo, com o objectivo de perceber quais os benefícios que as estratégias de marketing em uso dão ao estabelecimento, e também perceber se com estas mesmas estratégias de marketing o fluxo de clientes no estabelecimento tende a aumentar, a manter ou a baixar. (Apêndice A1)
3ᵃ Fase: Análise de dados e redacção do relatório
Para que haja uma boa interpretação e compreensão dos dados colhidos no campo recorrer-se-á ao uso de alguns métodos a descrever:
v  Descritivo: este método consistira na descrição das características da área em estudo, dos estabelecimentos que prestam serviços de comidas e bebidas, juntamente com a sua classificação.
v  Comparativo: consistira em fazer face entre as abordagens de vários autores e os dados colhidos no campo, com o objectivo de identificar as semelhanças e diferenças, bem como a forma como os restaurantes promovem seus produtos no mercado e fazer foco no público-alvo certo, para que o fluxo de clientes possa ser positivo.







4.      CRONOGRAMA
Descrição das etapas
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro

Semanas

2
3
4
1
2
3
4
1
2
3
4
1
2
3
4
Revisão bibliográfica
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X





Colecta de dados

X
X
X
X
X
X
X
X







Colecta de amostras






X
X
X







Análise de amostras







X
X
X
X
X




Entrevistas








X
X






Analise dos dados e elaboração da síntese









X
X
X




Primeira redacção e correcção










X
X




Entrega do relatório final












X














5.      Orçamento
Descrição
Quantidade 
Custo unitário
Total
1
Equipamentos
·         Computador,

1

600.00

600.00
2
Alimentação
·         Pequeno-almoço
·         Almoço 
·         Jantar

10
10
5

50.00
120.00
120.00

500.00
1200.00
600.00
3
Consumíveis
·         Bloco de notas,
·         Canetas,
·         Inquérito,
·         Papel.
·         Flech

2
2
1
50
1

45.00
6.00
2.00
1.00
120.00

90.00
12.00
2.00
50.00
120.00

Total
3174.00










6.      Referência bibliográfica

1.      Cunha, Licínio, (2007) Introdução ao Turismo.1ᵃed, Lisboa.
2.      Gil, António Carlos, (1999). Métodos e Técnicas de Pesquisa Social.6ed.
3.      Kotler, Philips, (2000) Marketing Para o Século XXI, 7ed.
4.      Lakatos, Eva Maria; Marconi, Marina de Andrade, (2001) Metodologias de trabalho científico: Procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, o projecto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 6ᵃed.
5.      Chacha, Nelson, (1992), Forca de Vendas, 1ᵃed, Lisboa
6.      Marques, Maria Olinda, (2005), Turismo e Marketing Turístico, 1ᵃed, Lisboa.